domingo, 5 de novembro de 2017

Diss que me Disk - Perfil #37 - WJ - Pineapple StormTV | Letra da Música

   



   

Hey Mãe
Rap ainda vai pagar nossa conta
Liga pra miséria e diz que já tem letra pronta
Manda
Ela me encontrar pessoalmente
Vou fazer devolução da dor que ela deu presente
Tonteia minha vida procurando brecha
Não vai encontrar
É tipo amigo falso eu falo me deixa
Pode se adiantar
Hey Mãe
Fala pra tua encarregada que ela é a nova na empregada na empresa da senhora
Amo emoção odeio minha comoção quando por culpa da nação eu vejo que a senhora chora
Não vai mais acontecer aqui
Não enquanto eu tiver aqui
Quem num bota fé só vim aqui
Que vai ter fé no que eu disser quando mostrar que sou de agir

Sem lero lero no berro se eu pego tu não vai viver
Ê
O rap enxergo mas cego pra prego que é melhor num vê
Não vou ceder se ba vender cd não me perder por pacto ou touch 3G
Se uma libra vale mais que a vida que maldita vida eu prefiro morrer
Vem ver
O lado de dentro do beco que a tela mostrou pra você
Vai ver
Que é tudo ao contrário é outro cenário e não tem nada haver
Dizer ue a gente não quer e que não pode ter?
Nem merece sobreviver
Tanta luta e tanto luto que já não sobrou soluço lágrimas viraram poço e penso em afogar você


Passa o controle pra cá
Nesse jogo o mais difícil é não me vê ganhar
Mestrão vou te demonstrar
Que o meu macete não é só rimar

Esperei por professores que não vieram pra classe
Acreditei em fake tipo make duas face
Sempre o mesmo disfarce passe antes que eu te cace
Caso mude de idéia só poderei lamentar

Passa o controle pra cá
Nesse jogo o mais difícil é não me vê ganhar
Mestrão vou te demonstrar
Que o meu macete não é só rimar

Não vou dever o meu dever não posso vacilar
Pois quem me vê consegue crer que o gueto é um bom lugar
Só precisa mudar, parar de se mudar, por quem promete, mente, fede e nunca vai mudar

Tô pique vira lata na sala de casa chata moça se me der uma chance eu vou vazar
Odeio gravata manto em falso magnata que me rouba pra depois me condenar
Pobre no beco caiu
Rico no pico fingiu que num viu
Esnobe nobre que pagou a morte

Advinha quem quase assumiu?

Eu
Tava lá no bar e bá
A bala resolveu cantar
Depois "pá", me forjar?
Nem peixe se afogar
Evaporei no ar
Difícil eu ficar
Gosto é escapar
Vão sempre me capar
Me viro pra virar
O sonho tá no ar
Jamais vou aturar quem  diz que não dá pra voar
Sou só um rapá
Incomum rapá
Cansei de rapa
Não nasci pra pá
Po
Foca no preto da zoom

Foca no preto da zoom

Foca no preto da zoom

Foca sem fofoca WJ tá na rota então se intoca quem só toca rap pra mexer o bumbum

Foca no preto e da zoom,  foca no preto e da zoom nessa porra
Com certeza tu verá que a raça morrerá e quem diz que salvará cria sodomigomorra
Porra morra não dá
Pode vim me matar
Que enquanto eu respirar
O mundo vai pirar
Não corro e pelo morro trago socorro cantando
Tipo
Brinco rimando mas nunca rimo brincando

Passa o controle pra cá
Nesse jogo o mais difícil é não me vê ganhar
Mestrão vou te demonstrar
Que o meu macete não é só rimar

Esperei por professores que não vieram pra classe
Acreditei em fake tipo make duas face
Sempre o mesmo disfarce passe antes que eu te cace
Caso mude de idéia só poderei lamentar

Passa o controle pra cá
Nesse jogo o mais difícil é não me vê ganhar
Mestrão vou te demonstrar
Que o meu macete não é só rimar

Não vou dever o meu dever não posso vacilar
Pois quem me vê consegue crer que o gueto é um bom lugar
Só precisa mudar, parar de se mudar, por quem promete, mente, fede e nunca vai mudar

   



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sábado, 4 de novembro de 2017

Poesia Acústica #3 - Capricorniana - Sant | Tiago Mac | Lord | Maria | Choice | Pineapple StormTV

   



   
[Verso 1: Sant]
Eu tava doido pra cantar pra ela nosso som
Que escrevi ontem pensando no amanhã
E hoje eu tô aqui despreparado
Preocupado com tudo ao redor
As pernas tremem, a boca não abre e não da nem pra me mover
Talvez se eu tivesse ensaiando mais
Talvez se eu tivesse um pouco mais firme
Talvez esse borbulho no estômago signifique que noís combine
E nem precise de mais canções, além do sons de voz de quando converso contigo
Mais eu não consigo e tudo que eu não te digo aqui deusa
É que ontem eu pus meu verso
Que eu tava doido pra cantar nosso som, escrevi ontem
E hoje eu tô aqui doido pra cantar pra ela
Nosso som, nosso som

[Verso 2: Thiago Mac]
Ana Capricorniana, nesse final de semana
Desculpa mais não quero ver você partir
Amanhã acordo cedo, o corre aqui não tenha medo
O morro inteiro hoje quer te ver você sorrir
Quem é que tem coragem pra falar de amor?
Quem é que tem coragem de ser o que não é?
Fiz essa aqui na lage, esse fundo é montagem
Me diz o que cê quer pra aliviar essa dor
Fui de peito aberto pra fechar contigo
Seu mundo tava escuro eu fui o seu farol
Escolhas são escolhas, cê tem seus motivos
Mas quem quer viver na sombra não espera o sol
CÊ sabe que a vida é um tecido fino
Pois a qualquer momento pode se rasgar
Talvez não seja nada, seja só o destino
Era simplesmente a hora de tudo acabar

[Refrão: Thiago Mac e Maria] (x2)
Meu quarto ainda tem seu cheiro, de vazio eu entendo
Esvaziou o coração e sem ter explicação me arrancou de dentro

[Verso 3: Thiago Mac]
Ana Capricorniana, você acha que me engana
Desculpa mais não quero ver você partir
Vai embora com minha blusa, só pra deixar outra sua
Ninguém pode saber que você teve aqui
Quem é que tem coragem pra falar de amor?
Quem é que tem coragem de ser o que não é?
Fiz essa no meu quarto, minha casa não tem lage
E a única montagem é seu sorriso sem cor, amor
Seu sorriso sem cor, amor
Seu sorriso sem cor

[Verso 3: Lord]
Já não sei quantas vezes arrumou as malas
Amamos e brigamos mil vezes ao dia
Nem lembro quantas vezes procurei palavras
Pra te mostrar aonde nós dois juntos chegaria
Não sabe como eu corro pra cuidar de tu
Mas eu verdade eu não cuido nem de mim, eu sou um louco
Mas tudo porque eu gosto de sentir o gosto
Da gente brindando muito e dividindo pouco
Eu sagitariano e ela escorpiana
Ela bate e mama, ela toca e ama
Era pra ser mais um romance, mas nos dois faz drama
Antes da parte do porno que a gente faz na cama
E o mais sinistro é que tu sabe que elas me quer
E eu sei que eles te quer, mas nós dois só quer
Cantando a nossa música, transando num hotel
A gente chora, porque eu preciso ir embora
Me chama de bebe, que hoje eu vou beber a agua do seu corpo
E a gente vai começar de novo
Noís vamo acordar juntin', eu e você juntin'
Vem, vem, vem, que hoje noís vamos queimar no nosso fogo
Que todo tempo do mundo ainda é pouco
Pra eu cantar o samba que eu te fiz pra te ver sorrir

[Verso 4: Choice & Maria]
Ah se você voltasse ao momento do impasse
Pensasse melhor e não se precipitasse
A um passo do precipício, se tu não me empurrasse
Imagina se fosse um começo tão doce que deliciasse sua boca
E trouxesse um sentimento lindo, ah se sesse
Seria tão bom, eu teria o meu bem de baixo do edredom
Dispensaria o harem
Preta você tem noção do que você tem
Me deixa no chão por favor, vem com a mão e carin'
Que assim vou também
E se você voltasse ao momento do impasse pensasse melhor
A um passo do precipício, ai se sesse



[Verso 1: Sant]
Eu tava doido pra cantar pra ela nosso som
Que escrevi ontem pensando no amanhã
E hoje eu tô aqui despreparado
Preocupado com tudo ao redor
As pernas tremem, a boca não abre e não da nem pra me mover
Talvez se eu tivesse ensaiando mais
Talvez se eu tivesse um pouco mais firme
Talvez esse borbulho no estômago signifique que noís combine
E nem precise de mais canções, além do sons de voz de quando converso contigo
Mais eu não consigo e tudo que eu não te digo aqui deusa
É que ontem eu pus meu verso
Que eu tava doido pra cantar nosso som, escrevi ontem
E hoje eu tô aqui doido pra cantar pra ela
Nosso som, nosso som

[Verso 2: Thiago Mac]
Ana Capricorniana, nesse final de semana
Desculpa mais não quero ver você partir
Amanhã acordo cedo, o corre aqui não tenha medo
O morro inteiro hoje quer te ver você sorrir
Quem é que tem coragem pra falar de amor?
Quem é que tem coragem de ser o que não é?
Fiz essa aqui na lage, esse fundo é montagem
Me diz o que cê quer pra aliviar essa dor
Fui de peito aberto pra fechar contigo
Seu mundo tava escuro eu fui o seu farol
Escolhas são escolhas, cê tem seus motivos
Mas quem quer viver na sombra não espera o sol
CÊ sabe que a vida é um tecido fino
Pois a qualquer momento pode se rasgar
Talvez não seja nada, seja só o destino
Era simplesmente a hora de tudo acabar

[Refrão: Thiago Mac e Maria] (x2)
Meu quarto ainda tem seu cheiro, de vazio eu entendo
Esvaziou o coração e sem ter explicação me arrancou de dentro

[Verso 3: Thiago Mac]
Ana Capricorniana, você acha que me engana
Desculpa mais não quero ver você partir
Vai embora com minha blusa, só pra deixar outra sua
Ninguém pode saber que você teve aqui
Quem é que tem coragem pra falar de amor?
Quem é que tem coragem de ser o que não é?
Fiz essa no meu quarto, minha casa não tem lage
E a única montagem é seu sorriso sem cor, amor
Seu sorriso sem cor, amor
Seu sorriso sem cor

[Verso 3: Lord]
Já não sei quantas vezes arrumou as malas
Amamos e brigamos mil vezes ao dia
Nem lembro quantas vezes procurei palavras
Pra te mostrar aonde nós dois juntos chegaria
Não sabe como eu corro pra cuidar de tu
Mas eu verdade eu não cuido nem de mim, eu sou um louco
Mas tudo porque eu gosto de sentir o gosto
Da gente brindando muito e dividindo pouco
Eu sagitariano e ela escorpiana
Ela bate e mama, ela toca e ama
Era pra ser mais um romance, mas nos dois faz drama
Antes da parte do porno que a gente faz na cama
E o mais sinistro é que tu sabe que elas me quer
E eu sei que eles te quer, mas nós dois só quer
Cantando a nossa música, transando num hotel
A gente chora, porque eu preciso ir embora
Me chama de bebe, que hoje eu vou beber a agua do seu corpo
E a gente vai começar de novo
Noís vamo acordar juntin', eu e você juntin'
Vem, vem, vem, que hoje noís vamos queimar no nosso fogo
Que todo tempo do mundo ainda é pouco
Pra eu cantar o samba que eu te fiz pra te ver sorrir

[Verso 4: Choice & Maria]
Ah se você voltasse ao momento do impasse
Pensasse melhor e não se precipitasse
A um passo do precipício, se tu não me empurrasse
Imagina se fosse um começo tão doce que deliciasse sua boca
E trouxesse um sentimento lindo, ah se sesse
Seria tão bom, eu teria o meu bem de baixo do edredom
Dispensaria o harem
Preta você tem noção do que você tem
Me deixa no chão por favor, vem com a mão e carin'
Que assim vou também
E se você voltasse ao momento do impasse pensasse melhor
A um passo do precipício, ai se sesse



 




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Ao braço do mesmo menino Jesus

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Monólogo de uma sombra

   



   

Augusto dos Anjos - 001 - Monólogo de uma sombra


“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas
A saúde das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
— Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
— O metafisicismo de Abidarma —
E trago, sem bramânicas tesouras,
Como um dorso de azêmola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Com um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo à Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!

Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como uma vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infortúnio.

Ai vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens,
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!

Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem...
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!

E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.

Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!

Será calor, causa úbiqua de gozo,
Raio* X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!

E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
— Engrenagem de vísceras vulgares —
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!

A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.

É uma trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.

E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!...
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável dos micróbios!

Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo...
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.

Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E à noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.

No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, à noite, em lúbricos arroubos,
Corno no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.

Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta...
E explode, igual à luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do ariete*
E os arremessos de uma catapulta.

Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descarnada de um duende,
Que, tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!

Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su’alma na caverna escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candeeiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.

É o despertar de um povo subterrâneo!
É a fauna cavernícola do crânio
— Macbeths da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sanguinárias
Que ele tem praticado na família.

As alucinações tactis* pululam.
Sente que megatérios o estrangulam...
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!

Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!
Ah! Dentro de toda a alma existe a prova

De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de uma esfera opaca.
Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,

Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!
Provo desta maneira ao mundo odiento

Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.
Continua o martírio das criaturas:

— O homicídio nas vielas mais escuras,
— O ferido que a hostil gleba atra escarva,
— O último solilóquio dos suicidas —
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!”
Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,

Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora* * do sarcasmo!
Era a elégia* ** panteísta do Universo,

Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases...
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.
E o turbilhão de tais fonemas acres

Trovejando grandíloquos massacres,
Há de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta à quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!

Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.


   



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