sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Gregorio de Matos - Ao braco do mesmo menino Jesus quando apareceu











Gregorio de Matos - Ao braco do mesmo menino Jesus quando apareceu





Gregorio de Matos - Ao braco do mesmo menino Jesus quando apareceu


O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

Gregório de Matos Guerra (1636-1696)

Considerado o maior poeta barroco do Brasil.











Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

sanderleisilveira.com.br

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

historia1minuto.com.br

Casa do Sorvete - Joinville

Machado de Assis - Obra Completa

Biblia Online

Jogos Online Infantil para Crianças

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Machado de Assis - Ela





Machado de Assis - Ela

Poesia em Português - Brasil




Machado de Assis - Ela


Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim-

P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

Joaquim Maria Machado de Assis (1839—1908) foi um escritor brasileiro.

Considerado como o maior nome da literatura nacional.







Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

sanderleisilveira.com.br

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

historia1minuto.com.br

Casa do Sorvete - Joinville

Machado de Assis - Obra Completa

Biblia Online

Jogos Online Infantil para Crianças

domingo, 1 de novembro de 2015

Gonçalves Dias - Marabá






Gonçalves Dias - Marabá 

Poesia em Português - Brasil








Gonçalves Dias - Marabá


Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde,
— Tu és, me responde,
— Tu és Marabá!

— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
"Teus olhos são garços,
Responde anojado; "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"

— É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
— Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras
— Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
"És alva de lírios",
Sorrindo responde; "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá."

— Meu colo de leve se encurva engraçado,
— Como hástea pendente do cáctus em flor;
— Mimosa, indolente, resvalo no prado,
— Como um soluçado suspiro de amor! —

"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
"Qual duma palmeira,
Então me responde; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
"Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."

— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
— De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá."

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

Antônio Gonçalves Dias(1823-1864)

foi um poeta brasileiro.




Links


Sanderlei Silveira (website)

Obra completa de Machado de Assis (website)

Machado de Assis - Dom Casmurro (Blogger)

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas (Blogger)

Machado de Assis - Quincas Borba (Blogger)

Machado de Assis - Esaú e Jacó (Blogger)

Machado de Assis - A Mão e a Luva (Blogger)

Machado de Assis - Papéis Avulsos (Blogger)

Machado de Assis - Helena (Blogger)

Machado de Assis - Outros Livros (Blogger)

Machado de Assis - Poesia (Blogger)

Machado de Assis - Crônica (Blogger)

Machado de Assis - Teatro (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

historia1minuto.com.br

sábado, 31 de outubro de 2015

Pedro Kilkerry - Ad veneris lacrimas







Pedro Kilkerry - Ad veneris lacrimas

Poesia em Português - Brasil








Pedro Kilkerry - Ad veneris lacrimas


Em meus nervos, a arder, a alma é volúpia... Sinto
Que Amor embriaga a Íon e a pele de ouro. Estua,
Deita-se Íon: enrodilha a cauda o meu Instinto
aos seus rosados pés... Nyx se arrasta, na rua...

Canta a lâmpada brônzea? O ouvido aos sons extinto
Acorda e ouço a voz ou da alâmpada ou sua
O silêncio anda à escuta. Abre um luar de Corinto
Aqui dentro a lamber Hélada nua, nua.

Íon treme, estremece. Adora o ritmo louro
Da áurea chama, a estorcer os gestos com que crava
Finas frechas de luz na cúpula aquecida...

Querem cantar de Íon os dois seios, em coro...
Mas sua alma - por Zeus! - na água azul doutra Vida
Lava os meus sonhos, treme em seus olhos, escrava.

Pedro Militão Kilkerry (1885—1917)

foi um jornalista e poeta simbolista brasileiro.






Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Olavo Bilac - Nel mezzo del camim





Olavo Bilac - Nel mezzo del camim


Poesia em Português - Brasil








Olavo Bilac - Nel mezzo del camim


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918).

Foi um jornalista e poeta brasileiro.

Membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.





Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Augusto dos Anjos - A Esperança






Augusto dos Anjos - A Esperança

Poesia em Português - Brasil


Augusto dos Anjos - A Esperança


A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a Crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar; descansa!

Augusto dos Anjos (1884-1914)

O mais importante poeta do pré-modernismo.

Sua obra poética, está resumida em um único livro "Eu e Outros Poemas".











Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

Cecilia Meireles - Motivo





Cecilia Meireles - Motivo

Poesia em Português - Brasil








Cecilia Meireles - Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901—1964).

Foi uma poetisa brasileira.






Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Alvarez de Azevedo - Lembrança de Morrer





Alvarez de Azevedo - Lembrança de Morrer

Poesia em Português - Brasil









Alvarez de Azevedo - Lembrança de Morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831—1852)

foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica).






Links


Sanderlei Silveira (website)

Obra completa de Machado de Assis (website)

Machado de Assis - Dom Casmurro (Blogger)

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas (Blogger)

Machado de Assis - Quincas Borba (Blogger)

Machado de Assis - Esaú e Jacó (Blogger)

Machado de Assis - A Mão e a Luva (Blogger)

Machado de Assis - Papéis Avulsos (Blogger)

Machado de Assis - Helena (Blogger)

Machado de Assis - Outros Livros (Blogger)

Machado de Assis - Poesia (Blogger)

Machado de Assis - Crônica (Blogger)

Machado de Assis - Teatro (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

historia1minuto.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Machado de Assis - A Carolina







Machado de Assis - A Carolina

Poesia em Português - Brasil






Machado de Assis - A Carolina


Querida! Ao pé do leito derradeiro,
em que descansas desta longa vida,
aqui venho e virei, pobre querida,
trazer-te o coração de companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
que, a despeito de toda a humana lida,
fez a nossa existência apetecida
e num recanto pôs um mundo inteiro...

Trago-te flores - restos arrancados
da terra que nos viu passar unidos
e ora mortos nos deixa e separados;

que eu, se tenho, nos olhos mal feridos,
pensamentos de vida formulados,
são pensamentos idos e vividos.

Joaquim Maria Machado de Assis (1839—1908) foi um escritor brasileiro.

Considerado como o maior nome da literatura nacional.





Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

domingo, 25 de outubro de 2015

Castro Alves - O Navio Negreiro






Castro Alves - O Navio Negreiro

Poesia em Português - Brasil








Castro Alves - O Navio Negreiro

(Tragédia no mar)


'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia,
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu!...

III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
...Adeus, ó choça do monte,
...Adeus, palmeiras da fonte!...
...Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer.
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...

VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!




Links


Sanderlei Silveira (website)

Obra completa de Machado de Assis (website)

Machado de Assis - Dom Casmurro (Blogger)

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas (Blogger)

Machado de Assis - Quincas Borba (Blogger)

Machado de Assis - Esaú e Jacó (Blogger)

Machado de Assis - A Mão e a Luva (Blogger)

Machado de Assis - Papéis Avulsos (Blogger)

Machado de Assis - Helena (Blogger)

Machado de Assis - Outros Livros (Blogger)

Machado de Assis - Poesia (Blogger)

Machado de Assis - Crônica (Blogger)

Machado de Assis - Teatro (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com

historia1minuto.com.br

sábado, 24 de outubro de 2015

Olavo Bilac - A Alvorada do Amor






Olavo Bilac - A Alvorada do Amor

Poesia em Português - Brasil



Olavo Bilac - A Alvorada do Amor


Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A Natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!

Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
- Terra, melhor que o céu! homem, maior que Deus!"

Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918).
Foi um jornalista e poeta brasileiro.
Membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.











Links


Sanderlei Silveira (website)

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês (website)

Curso de Inglês (Blogger)

Curso de Espanhol (Blogger)

Audio Livro (Blogger)

Audio Book (Blogger)

Euclides da Cunha - Os Sertões (Blogger)

Lima Barreto - Contos (Blogger)

Poesia (PT) - Poetry (EN) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poesía (ES) - Poésie (FR) (Blogger)

Poesía (ES) - Poetry (EN) - Poesia (PT) - Poésie (FR) (Blogger)

sanderlei.com

ssconsult.com.br

ss-solucoes.com

sz-solution.com